A educação financeira ganha significado quando aparece nas escolhas do cotidiano. Comparar preços, pensar no valor de uma compra e decidir como usar o dinheiro são situações que podem aproximar o aprendizado escolar da rotina da família. Foi essa mudança que Liz Barbosa, mãe da Carolina Barbosa, percebeu nas crianças após o início do projeto na escola.

“Do lanche da escola até a ida ao shopping, a forma de olhar o dinheiro é muito diferente depois que o projeto iniciou na escola e na vida das crianças”, relatou Liz. Em seu depoimento, ela associa essa atenção às escolhas a um amadurecimento dos alunos e destaca a importância do projeto para estudantes e pais.

O relato mostra como um tema trabalhado em sala pode continuar nas conversas de casa. Atividades sobre orçamento, consumo e planejamento ajudam a criar oportunidades para discutir necessidades, desejos e prioridades. A família pode participar desse aprendizado ao conversar sobre decisões reais, como organizar um valor disponível para o lanche ou planejar uma compra. Essas situações permitem praticar o que foi estudado e pensar nas consequências de cada escolha.

Um estudo de Bruhn e colaboradores, publicado em 2016 no American Economic Journal: Applied Economics, avaliou um programa de educação financeira em 892 escolas de ensino médio, com aproximadamente 25 mil estudantes brasileiros. A pesquisa encontrou melhorias no conhecimento financeiro, na poupança e no planejamento do orçamento, além de efeitos positivos sobre os pais. Também identificou aumento do uso de crédito caro no curto prazo, mostrando que essa formação precisa abordar os riscos do endividamento. Os resultados reforçam o potencial da educação financeira e a importância de trabalhar decisões responsáveis junto ao conhecimento sobre dinheiro.

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